Acusado por lobista da Lava Jato, presidente da Câmara declara-se rompido com o governo Dilma Roussef
Cara de poucos amigos, Cunha anuncia rompimento, em coletiva. Ed Ferreira - Folhapress

Acusado por lobista da Lava Jato, presidente da Câmara declara-se rompido com o governo Dilma Roussef

  • Em coletiva de imprensa, agora há pouco, em Brasília, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou,  que será oposição ao governo embora seu partido faça parte da base aliada. O anúncio ocorre um dia após o consultor da Toyo Sental Júlio Camargo, delator na operação Lava Jato, declarar que repassou US$5 milhões de propina para o deputado . O presidente da Câmara nega as acusações.

    Cara de poucos amigos, Cunha anuncia rompimento, em coletiva. Ed Ferreira – Folhapress

Cunha é do PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer e uma das legendas que integram a base aliada. No entanto, as relações entre o chefe da Câmara e o governo Dilma já estão tensas desde que o peemedebista tomou posse como presidente da Câmara, em fevereiro. O PMDB, em nota, disse que a decisão de Cunha é “pessoal”

“Estou oficialmente rompido com o governo a partir de hoje”, declarou durante entrevista coletiva na Câmara. Ele disse ainda que irá pregar no congresso do PMDB, que deve ocorrer em setembro, a saída do partido da base aliada do governo. “Teremos a seriedade que o cargo ocupa. Porém, o presidente da Câmara é oposição ao governo”, disse.

“Eu vou pregar no congresso do PMDB, em setembro, que o PMDB rompa com o governo. Saia do governo. E eu, a partir de hoje, me considero em rompimento pessoal com o governo. Não há possibilidade de eu, como deputado do PMDB, que o meu partido faça parte de um governo que quer arrastar para a lama dele todos aqueles que podem por ventura, na sua associação, ajudar a protegê-los”, disse Cunha. Ele estava acompanhado do deputado André Moura (PSC-SE) durante a entrevista.

O presidente da Câmara acusou o PT de estar envolvido na “lama” de corrupção na Petrobras. “Essa lama em que está envolvida a corrupção da Petrobras, cujos tesoureiros do PT estão presos, eu não vou aceitar estar junto dela”.

Cunha criticou o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, que conduziu o depoimento prestado por Júlio Camargo no qual o consultor afirmou ter pago US$ 5 milhões em propina a Cunha.  Segundo Cunha, por ter foro privilegiado, ele não poderia ser alvo de um processo tramitando em primeira instância. Para o presidente da Câmara, Moro acha que é o “dono do país”.

“O juiz violou o procedimento do qual eu tenho foro privilegiado. Quanto a isso, meus advogados vão entrar com uma reclamação junto ao STF, para que o processo na medida em que eu fui citado seja avocado e venha para o STF e não fique mais debaixo de um juiz que acha que é dono do país que acha que é dono de todas as instâncias. Ele acha que o STF e o STJ se mudaram para Curitiba. Ele quer fazer o papel de todos”, criticou Cunha.

Críticas ao PT

Cunha afirmou ainda, na entrevista, que as ações do Ministério Público Federal seriam “orquestradas” pelo governo.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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