Eleitores – do PSOL ao PSDB – estão conquistando e implodindo grupos de fake news bolsonaristas no WhatsApp

 Cansasada de brigar por causa de política com o pai, um ferrenho eleitor de Jair Bolsonaro, a estudante Brenda Silva decidiu adotar uma estratégia diferente. Em vez de discutir com ele, passou a agir onde sabia que o pai gastava boa parte do tempo: em grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro. Tudo começou quando Silva foi convidada a entrar nos grupos de que o pai participava. Ela comprou um chip novo, para que não fosse reconhecida pelo número de telefone, e passou a enviar notícias e vídeos – reais – que expunham os problemas do presidente. A ideia era apenas rebater argumentos, em geral baseados em fake news, que se cansara de ouvir. À época, o principal assunto nos grupos era o atentado à faca contra Bolsonaro. Os integrantes dos grupos diziam, sem provas, que o mandante havia sido o ex-presidente Lula. A estudante rebatia com fatos da investigação. O pai dela ficou possesso, mas Silva não parou até que conseguisse implodir todos os grupos, um a um. “Eu o vi xingando ‘aquele fake’ sem saber que era a filha dele. Até que minha madrasta reclamou que ele perdia muito tempo brigando nos grupos e ele resolveu sair de todos”, riu a estudante. Mas aí quem não queria parar era ela. “Já tinha tomado gosto pela coisa.” Silva, que vive em Goiânia, percebeu que invadir o terreno em que bolsonaristas radicais se sentem mais confortáveis – os grupos de WhatsApp – é uma forma efetiva de combater a proliferação de fake news a favor do presidente. A ferramenta de envio de mensagens instantâneas foi essencial para a eleição de Bolsonaro – as evidências indicam que a avalanche de fake news distribuídas no mundo oculto dos grupos de zap beneficiou mais a ele do que a qualquer outro candidato. Guerrilha digital A goiana está longe de ser a única “guerrilheira digital” dedicada a combater fake news e intolerância em grupos de mensagens. Em algumas semanas de pesquisa, conheci dezenas de pessoas – eleitoras de Ciro Gomes, Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Marina Silva e Geraldo Alckmin – que resolveram se entregar à tarefa. É estafante: são até oito horas diárias com os olhos fixos no WhatsApp. “Cada um mantém a sanidade como consegue”, ela desabafou. É o caso dos 20 editores de uma página de esquerda no FAcebook. Durante a campanha eleitoral, eles entraram em grupos bolsonaristas para entender o que pensavam os apoiadores do capitão reformado. Passado o pleito, decidiram continuar por ali, na esperança de mudar opiniões. A tática escolhida é curiosa, mas vem surtindo efeito: fingindo ser eleitores de extrema direita, eles lançam mão de argumentos ainda mais radicais que os que habitualmente circulam nos grupos. Um dos participantes, um bacharel em filosofia que mora em São Paulo e pediu para não ser identificado para não ser descoberto nos grupos, posta coisas como: “Bolsonaro não é só um político, ele é Melquisedeque, a presença do Senhor na Terra, o patriarca de uma nova geração de governantes”. Ou: “A Amazônia está pronta para receber o povo de Israel, meu pastor disse que aqui será a nova Jerusalém”, conta Amanda Audi, da Intercept Brasil

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Olhem eu aqui! De novo…

Ainda bem que as pessoas de bem que passam a vista neste blog me conhecem! Porque eu havia dado uma parada,  ano passado, por conta da sobrecarga de atividades no Instituto de Pesquisas Data M, mas anunciado o retorno em 8 de agosto... Pois não é que, por essas ironias do destino, dois dias depois, uma bradicardia me levou a uma internação hospitalar de 20 dias, culminando com a implantação de um aparelho marca-passo para regular o coração.  Fui obrigado a parar. Para não perder o embalo,  após um período de repouso e dietas, submeti-me a uma cirurgia nos olhos e, agora, enxergando até agulha em palheiro, eis-me aqui de novo. Pela ausência, peço desculpas.  Blog é uma coisa que não se consegue terceirizar. Até mesmo quando se reproduz uma informação que não é sua: tem que saber selecionar, tem que se pensar em quem está do outro lado, no computador, tablet, celular... Imagina eu colocar uma pessoa pra me substituir e, no dia seguinte, ter que ler no meu próprio espaço, um texto bajulatório, aético e ainda com erros de Português? Vou parar no hospital, outra vez... É melhor que fique desatualizado... Para o jornalista, parar de escrever é como o tomador de cachaça.. Muito difícil. Assim, estou de volta, outra vez... Ainda não será com a intensidade que gostaria de imprimir a este espaço, mas vamos religar o motor e acelerando aos poucos. Até que ele atinja o ponto ideal para a tarefa. Um grande abraço a todos!

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